O líder da Associação Sociedade Espírita Brasileira Amor Supremo (Sebas), Kleber Aran Ferreira e Silva, foi condenado a 50 anos, 16 meses e 25 dias de prisão em regime fechado pelos crimes de violação sexual mediante fraude e estupro de vulnerável. A decisão do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), proferida no último dia 12, acolheu recurso do Ministério Público estadual (MPBA), que pediu a ampliação da pena inicial de 20 anos e cinco meses e o reconhecimento do crime de estupro de vulnerável, inicialmente rejeitado pela 4ª Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Salvador.
Em novembro de 2024, Kleber já havia sido condenado por violação sexual mediante fraude contra três mulheres que frequentavam a instituição, além de ter sido obrigado a pagar indenização de R$ 50 mil a cada vítima por danos morais. A denúncia foi apresentada pela 1ª Promotoria de Justiça de Direitos Humanos de Salvador em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a partir de investigações iniciadas em 2021 com base em relatos encaminhados pelo projeto Justiceiras, de apoio a mulheres vítimas de violência de gênero.
Na nova decisão, os desembargadores da 1ª Turma da Segunda Câmara Criminal do TJBA reconheceram que uma das vítimas estava em estado de vulnerabilidade após ter ingerido bebidas alcoólicas oferecidas pelo acusado, o que configurou estupro de vulnerável conforme o artigo 217-A do Código Penal. O acórdão também destacou provas de manipulação psicológica e espiritual praticadas pelo réu para exercer domínio sobre suas vítimas.
De acordo com a denúncia, Kleber afirmava incorporar o espírito “Dr. Fritz” e se aproveitava da posição de líder religioso para abusar sexualmente de mulheres. Ele convencia seguidoras de que relações sexuais eram necessárias para “trabalhos espirituais” e para fornecer “energia sexual” às entidades, muitas vezes após coagi-las a consumir álcool.
