O ex-deputado federal Marcelo Nilo afirmou, em entrevista ao Política Ao Vivo, que não tem dúvidas de que o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), será preso por causa do escândalo dos respiradores do Consórcio Nordeste. O caso, revelado em 2020, voltou a ganhar destaque após reportagem da Revista Veja detalhar novos trechos da delação premiada da empresária Cristiana Prestes Taddeo, dona da Hempcare Pharma, empresa contratada para fornecer 300 respiradores que nunca foram entregues.
“Você viu a revista Veja hoje? O Rui Costa está envolvido até o talo. Eu não tenho a menor dúvida que ele será preso”, disse Nilo. O ex-parlamentar lembrou que Rui era presidente do Consórcio Nordeste e autorizou o pagamento antecipado de R$ 48,7 milhões. “Segundo o procurador federal, os indícios são fortíssimos. Eu já ouvi falar em corrupção de 5%, de 10%, de 15%, agora de 100% eu nunca tinha ouvido. E o Rui Costa realmente assinou o pagamento de 100%. Sabe o que ele disse na Veja? Que não sabe inglês, por isso comprou de uma empresa de medicamento de maconha”, ironizou.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) encaminhou, no último dia 16 de setembro, ao Ministério Público Federal, mais de 6 mil páginas da investigação sobre o caso. O material inclui delações que apontam o envolvimento direto de Rui Costa nas decisões do contrato, conforme a Veja. De acordo com os delatores, todas as ordens de compra passavam pelo aval do então governador da Bahia, e lobistas ligados à ex-primeira-dama Aline Peixoto, atual conselheira do Tribunal de Contas do Estado, intermediavam o negócio.
As investigações mostram que a empresa contratada nunca havia importado equipamentos médicos e era especializada em produtos à base de cannabis. Mesmo assim, recebeu a transferência integral dos valores antes de entregar qualquer respirador. Nenhum equipamento chegou ao Brasil, e a maior parte do dinheiro público pago continua sem rastreamento.
Em nota, a defesa de Rui Costa afirmou que a Procuradoria-Geral da República concordou com a tese apresentada pela defesa, que pede a manutenção do processo no STJ. Segundo o texto, “a peça da PGR não agrega nenhum elemento acusatório quanto à conduta do então governador da Bahia” e que o Ministério Público “já havia manifestado que não existe nenhum fato que vincule Rui Costa a irregularidades na compra dos respiradores”.
