Câmera mostra acidente assustador na Stock em Brasília

Foto: Divulgação

Imagens impressionantes marcaram a manhã desta sexta-feira no primeiro treino livre da Stock Car em Brasília. Um forte acidente envolvendo Bruno Baptista e João Paulo de Oliveira interrompeu a sessão depois que o carro de Baptista, da equipe RCM, pegou fogo devido à violência da batida. O blog Voando Baixo obteve com exclusividade as imagens da câmera onboard do carro #44, que mostram o impacto a 133 km/h e o estrago na lateral direita do Mitsubishi Eclipse Cross, incluindo o rompimento do tanque de combustível que gerou o incêndio.

Os dois pilotos receberam atendimento ainda na pista e foram encaminhados ao hospital DF Star, onde passam bem. Bruno Baptista sofreu fraturas no dedão da mão e em uma costela; João Paulo de Oliveira teve uma fissura na bacia. Ambos estão fora da etapa e dificilmente terão condições de disputar a decisão da temporada, marcada para os dias 13 e 14 de dezembro, em Interlagos.

Mais cedo, pilotos e representantes da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) se reuniram para discutir a continuidade da etapa. Apesar da preocupação geral com a segurança do SNG01, o carro usado nesta temporada, a expectativa é de que a programação siga como planejado. A apreensão aumentou após o acidente, já que o carro de Baptista foi atingido em alta velocidade pelo de Oliveira, conforme dados de telemetria.

A disputa pela segurança do SNG01 na Justiça

O acidente ocorre em meio a um processo judicial movido por Bruno Baptista contra a CBA, a Vicar — organizadora do campeonato — e a AudaceTech, fabricante do SNG01. No dia 24 de outubro, o piloto entrou com um pedido de tutela antecipada de provas alegando que o modelo apresenta falhas graves de segurança e não cumpre requisitos básicos para competições oficiais da temporada 2025. Ele argumenta ainda que a categoria não tem sido transparente na apresentação dos documentos técnicos do veículo.

Segundo a ação, registrada na Vara Cível da Comarca de Cotia sob o número 4004140-67.2025.8.26.0152, o SNG01 apresenta problemas estruturais e térmicos desde o início da temporada, podendo inclusive carecer de homologação válida. Baptista afirma ter solicitado informações técnicas desde março de 2025, sem retorno satisfatório. Após relatar sua preocupação também à Federação Internacional de Automobilismo (FIA), decidiu recorrer à Justiça para evitar que provas importantes se perdessem.

O piloto já havia sido multado em R$ 100 mil pela Vicar em junho, após declarações consideradas “desprestigiosas” na etapa de Cascavel, configurando violação contratual segundo a organizadora. Mesmo contestando a penalidade, Baptista não conseguiu revertê-la.

Na petição, ele sustenta que o SNG01 possui “vícios ocultos” e oferece risco à pilotagem, citando artigos do Código Civil que tratam de responsabilidade solidária em casos desse tipo.

Foto: Reprodução

O que pede a tutela

A ação solicita a preservação de um exemplar do SNG01, sem alterações estruturais até o fim do processo, além da apresentação de diversos documentos técnicos. A petição também pede:

  • indicação de um profissional pelo CREA-SP para atuar como perito;
  • expedição de ofício à FIA;
  • nomeação de um perito judicial especializado em engenharia mecânica, segurança veicular e ergonomia;
  • depoimentos de representantes da Vicar, AudaceTech e CBA;
  • oitiva de testemunhas, incluindo Enzo Bortoleto (CEO da AudaceTech), Dino Altmann (CBA), José Avallone Neto (AudaceTech), Fábio Greco (CTDN/CBA), além da equipe de resgate de Helio Castroneves no incidente do Velocitta.
Foto: Reprodução

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