A nova resolução interna do Partido dos Trabalhadores, que coloca a disputa pelo Senado no centro da estratégia de 2026, tem impacto direto na montagem da chapa na Bahia. O documento determina que a sigla dispute “com força” todas as vagas disponíveis no próximo pleito e classifica o fortalecimento da bancada como essencial diante das dificuldades do governo Lula no Congresso.
Na Bahia, a leitura é clara. A orientação reforça a intenção de o PT lançar uma chapa exclusivamente petista: reeleição do governador Jerônimo Rodrigues e candidatura de Jaques Wagner e Rui Costa às duas vagas no Senado que estarão em disputa. Hoje, os representantes baianos na Casa são Wagner (PT) e Angelo Coronel (PSD). Coronel ficaria fora da chapa, o que aumenta a tensão com o PSD, principal aliado local do PT.
O texto nacional define que, além da reeleição de Lula, o partido deve concentrar esforços na ampliação das bancadas federais, especialmente a senatorial. A diretriz vem num momento em que o Palácio do Planalto enfrenta dificuldades para aprovar pautas relevantes, e a legenda vê no Senado um ponto crítico de sustentação política.
A resolução orienta ainda que o programa partidário — previsto para ser aprovado em abril — dialogue com demandas concretas da população, como renda, tarifa zero no transporte público e mudanças na jornada 6×1. O PT admite a necessidade de “repensar” sua relação com trabalhadores por aplicativo, autônomos e microempreendedores, setores que reagiram mal às propostas do governo para o setor.
O partido também chama a atenção para a disputa nas redes sociais, alertando para “tentativas de desestabilização e manipulação digital em larga escala”. A sigla defende presença organizada no ambiente online e uma campanha enraizada nos territórios, com foco em temas do cotidiano.
Segundo o trecho da resolução:
“A tática eleitoral terá como eixo central a reeleição do presidente Lula, condição indispensável para enfrentar a extrema direita, preservar a democracia, consolidar direitos e avançar em reformas estruturais. Mas também deve priorizar a ampliação das bancadas de senadores e senadoras, de deputadas e deputados estaduais e federais, a disputa pelos governos estaduais e a construção de uma maioria social e política capaz de sustentar um novo ciclo histórico.”
