O plano era eternizar, na memória e no celular, a foto perfeita do réveillon 2026 em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Mas, antes mesmo do clique, uma onda mais forte roubou o protagonismo. Um vídeo que viralizou nas redes sociais mostra sete amigas posando dentro do mar, durante a queima de fogos e de costas para a água, quando são surpreendidas pelo avanço repentino das ondas. A cena interrompe a foto e rende sustos, gritos e risadas.
O episódio aconteceu em meio a um mar bastante agitado na orla. Cariocas e turistas aproveitaram o calor do verão para prolongar o banho de mar noite adentro, mesmo com a contraindicação do Corpo de Bombeiros. No último dia do ano, porém, as condições do oceano chegaram a atrapalhar até o tradicional ritual de pular sete ondas na virada.
A Marinha do Brasil havia emitido um alerta de ressaca para o trecho do litoral entre o Rio de Janeiro e Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, válido até as 6h do dia 31. Ainda assim, Copacabana ficou tomada por banhistas, muitos deles entrando no mar apesar das condições adversas.
De acordo com modelos meteorológicos acompanhados por especialistas, havia previsão de ondas de até 2,5 metros de altura. Durante a noite, a força do mar chegou a ser até dez vezes maior do que a registrada pela manhã, o que elevou significativamente os riscos para quem decidiu entrar na água.
Ao longo do dia, agentes do Corpo de Bombeiros percorreram as praias cariocas para avaliar a situação. Em Copacabana, a sinalização com bandeira vermelha indicava que o banho de mar não era recomendado. A orientação era que o público utilizasse os chuveirões instalados na orla para se refrescar. Já na noite do dia 31, devido à baixa visibilidade, os militares reforçaram que o banho de mar deveria ser evitado, mesmo quando as ondas aparentavam estar mais calmas.
547 salvamentos no Leme e em Copacabana
O impacto do descumprimento das orientações ficou evidente no balanço das ocorrências. Os guarda-vidas tiveram trabalho intenso durante a virada do ano. Entre a quarta-feira e as 6h desta quinta-feira, o número de resgates foi quase 20 vezes maior do que no mesmo período do ano anterior: 547 salvamentos na região do Leme e Copacabana, área atendida pelo 3º Grupamento de Salvamento Marítimo (Gmar), que se estende até São Conrado. No período anterior, haviam sido registrados apenas 29 resgates.
O Posto 8, próximo ao Arpoador, concentrou o maior número de atendimentos, seguido pelo Posto 1, no Leme, e pelo Posto 3, nas proximidades do palco principal da festa, na altura do Copacabana Palace. Ao todo, segundo o Corpo de Bombeiros, 170 militares estavam distribuídos pela faixa de areia para atender o público.
O caso mais grave registrado foi o de um menino de Campinas, que estava com a família na área do Posto 2. Ele brincava na areia quando foi atingido por uma onda, arrastado e levado pelo mar. As buscas continuam nesta quinta-feira.
