O ex-prefeito de Xique-Xique, Reinaldinho Braga, afirmou em artigo publicado no Correio da Bahia que a eleição para o governo do Estado em 2026 tende a ser bem diferente da disputa de 2022 e que esse novo contexto abre espaço para a vitória de ACM Neto.
No texto, Reinaldinho sustenta que o ambiente político que garantiu a vitória do PT na última eleição não deve se repetir. Segundo ele, em 2022 houve uma forte nacionalização do pleito, impulsionada pela força eleitoral do presidente Lula no Nordeste. “O voto era no 13. Não era no nome do candidato ao governo”, escreveu, ao lembrar que boa parte do material de campanha no interior sequer trazia foto ou nome do então candidato Jerônimo Rodrigues.
O ex-prefeito também destacou que Rui Costa deixou o governo com avaliação positiva, o que ajudou a consolidar um clima de continuidade e favoreceu um candidato pouco conhecido do eleitorado. Além disso, apontou que a situação fiscal do Estado naquele período era confortável, graças a recursos extraordinários, como compensações da União no pós-pandemia, verbas do Fundeb e a indenização bilionária paga pela Ford.
Para Reinaldinho, esse conjunto de fatores formou uma “tempestade perfeita” que não estará presente em 2026. Ele avalia que Lula seguirá competitivo na Bahia, mas com desempenho inferior ao de 2022, quando obteve cerca de 72% dos votos válidos. “Há frustração de parte do eleitorado com o governo federal”, argumentou, ao projetar percentuais entre 50% e 60%.
Outro ponto central do artigo é a avaliação do governo Jerônimo Rodrigues. Segundo Reinaldinho, a desaprovação já supera a aprovação, percepção que aparece em pesquisas, análises da imprensa e no sentimento das ruas. Para ele, um governo mal avaliado tende a enfrentar dificuldades naturais em um projeto de reeleição.
O texto também chama atenção para o quadro fiscal atual da Bahia. De acordo com o ex-prefeito, os recursos extraordinários do passado foram consumidos e o Estado passou a recorrer a um volume elevado de empréstimos nos últimos anos, o que reduz a capacidade de investimento e limita promessas de campanha.
Por fim, Reinaldinho afirma que Jerônimo não poderá repetir a estratégia de 2022, quando era pouco conhecido. Agora, segundo ele, o governador é avaliado diretamente pelo eleitor, que percebe problemas persistentes em áreas como segurança pública, educação, saúde e infraestrutura.
Com esse cenário, o ex-prefeito conclui que cresce o espaço para uma candidatura de oposição competitiva. Para ele, a combinação de menor influência do presidente da República, rejeição ao governo estadual, dificuldades fiscais e desgaste da gestão atual cria as condições para a alternância de poder. Nesse contexto, Reinaldinho aponta ACM Neto como um nome com força política e experiência para vencer a disputa em 2026.
