‘Larguei a CLT para fazer conteúdo adulto. Hoje, faturo R$ 60 mil por mês avaliando nudes de homens’

Foto: Divulgação

Ismaila Carolina, 20 anos, recebe até 30 fotos de pênis de seguidores e assinantes e entrega avaliações personalizadas em áudio. Por ter contato com homens mais inseguros, começou a promover um sorteio que pode transformar a vida de um deles: um vale de cirurgia para aumento peniano

Nos últimos dois meses, Ismaila Carolina, 20 anos, recebe diariamente 20 a 30 nudes de homens. Todas são enviadas por seguidores ou assinantes de seus perfis em sites de conteúdo adulto. São closes do pênis (as famosas dick picks), daquelas que, para muitas mulheres, vêm num momento indesejado. Não é o caso de Ismaila: além das fotos, ela recebe até R$ 30 de cada um para fazer uma avaliação sincera de seus pênis.

“Acho que vejo mil paus de desconhecidos por mês desde que meu perfil bombou”, conta, rindo. Mas enfatiza: leva o trabalho muito a sério. Não à toa, o reconhecimento a faz ganhar, mensalmente, um “salário” de R$ 60 mil só com as avaliações. Isso sem contar o que ganha de seus 11 mil assinantes nas plataformas Privacy e FanFever: segundo ela, o potencial é de ter até R$ 300 mil na conta por mês.

Ismaila não imaginou que entraria para o ramo do conteúdo adulto. Foi CLT por três anos e meio, e relata uma rotina tão cansativa quanto insatisfatória financeiramente. “Ganhava R$ 2 mil por mês. Já cheguei a trabalhar 13 horas seguidas, com 15 minutos de almoço numa papelaria”, diz.

Depois, tirou o Creci, certificação para tornar-se corretora de imóveis, mas ainda assim o dinheiro não entrava. “Estava em desespero quando vi um anúncio no Instagram dizendo ‘Ganhe dinheiro em casa’. Achava que era balela, mas cliquei e caí num grupo de WhatsApp de uma plataforma de lives. Foi assim que virei camgirl”, conta.

‘Sou criadora de conteúdo adulto, creio em Deus e fui expulsa da igreja onde cresci por causa da minha profissão’

Ismaila começou há pouco mais de um ano, e confessa que não foi lá um grande sacrifício optar por seguir nesse caminho. Ela já era adepta do universo liberal e frequentadora de casas de swing. Além do mais, já tinha costume de gravar alguns vídeos transando com outras pessoas, mas só para si mesma. “No meu primeiro dia de live, fiz US$ 300 [R$ 1.640,91, na cotação atual*], o que me motivou a pegar firme.”

“Nunca fui uma pessoa que tive oportunidade de estudar nas melhores escolas ou fazer uma faculdade. Meus pais não tinham como me ajudar. Sabia que qualquer coisa que eu quisesse teria que depender de mim. Então, criar conteúdo adulto foi o caminho mais fácil, que me gera muito lucro. Claro que há receios da exposição ou de algum parente estar na live. Mas o dinheiro compensa o risco.”

O começo de tudo

Uma plataforma de lives de camgirls pode funcionar de várias formas. A mais recorrente funciona assim: há uma sala aberta para todas as pessoas. É onde as “preliminares” começam e o papo rola solto. Os interessados em ver mais — lê-se: o conteúdo erótico — deve pagar uma quantia para entrar numa sala privada. Dá para encontrar mulheres se masturbando, transando com outras pessoas ou dinâmicas fetichistas, por exemplo.

Ismaila conta que já cativava os caras desde a sala aberta, graças ao jeito tranquilo. Foi quando muitos homens passaram a enviar fotos de seus pênis para que ela os avaliasse. “Acho que eles me procuram porque querem a opinião sincera de alguém de quem não são próximos. Muita gente tem vergonha, fala que tem o pau muito pequeno ou muito fino.”

‘Deixei o interior após o vazamento de um vídeo íntimo. Hoje, ganhamos a vida criando conteúdo adulto’

A procura por ela começou a aumentar, o que a motivou a criar contas em plataformas adultas. Lá, Ismaila pública fotos e vídeos sensuais ou eróticos, é claro, mas ela estima que de cada 10 assinantes, ao menos seis querem ter o pênis avaliado por ela.

“Cobro entre R$ 20 e R$ 30 para isso. Eles pagam, me enviam as fotos e dou nota de 1 a 10”, conta. E o critério de avaliação? “Tenho um padrão do que é um pênis bonito. Levo em conta tamanho e espessura. E, por mais que eu seja sincera, tento ser muito cuidadosa. Os avantajados me procuram para receber elogios, sim, mas a maioria dos meus seguidores são os homens inseguros, que geralmente ainda são virgens e, por terem vergonha do próprio membro, não conseguem se explorar sexualmente.”

Por que homens pagam por avaliação de nudes?

Há quem adore receber comentários negativos e até humilhantes sobre o tamanho do pênis. Ismaila deixa claro que não segue por essa linha: a ideia dela é trazer uma abordagem mais atenciosa e carinhosa, justamente para não ferir (ainda mais) a autoestima desses homens.

Acontece que, além de avaliadora, ela torna-se um pouco “terapeuta” também, ouvindo relatos de homens de mais de 30 anos que estão frustrados com o próprio corpo.

“Quando acho que um pênis é pequeno, por exemplo, digo: ‘Sim, é pequeno, mas dá para fazer outras coisas, aprender a usá-lo melhor’. Tento ir por um caminho que não piore a situação para a pessoa. Sou o mais sincera possível, mas também indico cursos na internet, profissionais e materiais que mostrem que existe muito mais que pode ser feito”, conta.

A reação desses homens, em geral, é boa — mesmo quando o que ouvem não é tão positivo. Muitos agradecem. Outros contam que vão usar o áudio de Ismaila para “brincar”. E tem ainda os que enviam a ela “vídeos de finalizadas”; ou seja, da pessoa gozando depois de se masturbar.

Essa parte de seu trabalho ficou mais conhecida para quem assina conteúdo há dois meses, quando participou de um podcast e muitos trechos viralizaram. Ao perceber que a maioria do seu público é formada pelos inseguros, Ismaila começou a buscar informações e até profissionais para indicar.

Foi quando conheceu o trabalho da biomédica Fernanda Porsch, conhecida pela especialização em harmonização íntima masculina. Em outras palavras: ela oferece procedimentos de aumento peniano. “Nem sabia que era possível fazer isso e que a diferença era tão grande. Decidi ir atrás dela para uma parceria e, agora, estou sorteando um procedimento para um de meus seguidores. Tem até quem mande meu perfil para outros amigos. A demanda é grande, mesmo”, diz.

*com informação da Revista Marie Claire

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