A Bahia corre sério risco de perder representação política a partir das eleições de 2026. Apuração exclusiva do Caderno de Notícias (CN) com parlamentares envolvidos diretamente nas negociações aponta que o Congresso Nacional não deve derrubar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto que amplia o número de deputados federais de 513 para 531 a partir de 2027.
Com isso, a Bahia deve perder duas cadeiras na Câmara dos Deputados, caindo de 39 para 37 parlamentares, e pode ter redução de até seis vagas na Assembleia Legislativa, passando de 63 para 57 deputados estaduais. Os legislativos estaduais seguem a proporcionalidade da representação federal, conforme o último Censo do IBGE.
Parlamentares ouvidos pela reportagem afirmam que a forte pressão da opinião pública contra o aumento no número de cadeiras tem sido decisiva. “Seria um desgaste político enorme derrubar o veto. A sociedade é contrária e está acompanhando esse tema”, afirmou um deputado governista.
O veto de Lula foi baseado no argumento de que o projeto contraria o interesse público e é inconstitucional. A proposta de redistribuição de assentos teve origem em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que em agosto de 2023 determinou a atualização da representatividade com base no Censo Demográfico de 2022.
Segundo os dados, o Pará e Santa Catarina ganhariam quatro deputados cada; Amazonas, dois; e Ceará, Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais, um. Já a Bahia, Paraíba, Piauí e Rio Grande do Sul perderiam duas cadeiras cada. O Rio de Janeiro perderia quatro, e Alagoas e Pernambuco, uma.
A derrubada do veto presidencial exige ao menos 257 votos na Câmara e 41 no Senado, mas, segundo fontes ouvidas pelo CN, a base do governo e setores da oposição já sinalizam que não há ambiente político para contrariar a maioria da população.
