Imagens e denúncias reveladas nesta quarta-feira (16) apontam que o Hospital Regional de Juazeiro (HRJ) teria esvaziado seus corredores e suspendido cirurgias eletivas para mascarar a superlotação da unidade durante a visita do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e da secretária estadual de Saúde, Roberta Santana.
De acordo com o site Preto no Branco, a direção do hospital — administrado pela OSID (Obras Sociais Irmã Dulce) — teria forçado a alta de pacientes que ainda não estavam em condições clínicas ideais e realocado outros que estavam em macas nos corredores para salas vazias. A manobra teria como objetivo evitar que a comitiva estadual testemunhasse o caos diário enfrentado por pacientes e profissionais de saúde na unidade.
“Está aí a prova da maquiagem. O antes e o depois. A OSID correu pra esvaziar o hospital para não causar má impressão aos visitantes. O governador e a secretária precisam urgente fiscalizar essa empresa”, criticou um denunciante que enviou vídeos ao portal, comparando a situação dos corredores no dia 8 de julho com as imagens do local vazio nesta quarta-feira.
A reportagem também afirma que cerca de 70 pacientes foram retirados dos corredores. Parte deles teria recebido alta sem aval médico, e outros foram deslocados para áreas que normalmente não são utilizadas para internação. As cirurgias eletivas de ortopedia, que ocorrem diariamente, também teriam sido canceladas por falta de leitos, já que os espaços foram ocupados por pacientes remanejados para liberar os corredores.
“Os coordenadores desceram e forçaram alta, porque os médicos não concordavam. Eles mesmos deram alta. Uma maquiagem. Essa é a realidade”, afirmou uma fonte.
O movimento gerou forte reação entre usuários das redes sociais. “Essas visitas têm que acontecer sem aviso prévio”, disse um internauta. Outro comentou: “A administração terceirizada está maquiando tudo para não ser cobrada pelo governador. Ele não terá como conhecer a realidade se continuar sendo enganado”.
As denúncias ainda incluem que não houve reforço nas equipes médicas, contradizendo a alegação da OSID de que haveria novas contratações. Segundo fontes internas, a emergência continua operando com quatro médicos e apenas três cirurgiões, além de um número reduzido de profissionais de enfermagem.
Procurado pelo Preto no Branco, o Hospital Regional de Juazeiro não respondeu até a publicação da reportagem. A situação pode gerar novas cobranças por parte do Ministério Público, que é apontado por denunciantes como o órgão que deveria fiscalizar com urgência a gestão da unidade.
