O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), admitiu em entrevista ao portal UOL que o número de mortes em ações policiais no estado é alto e precisa ser enfrentado. Questionado pela apresentadora Fabíola Cidral se reconhecia a gravidade das estatísticas e se elas o envergonham, o governador afirmou que está cobrando mudanças na atuação das forças de segurança.
“É um número que eu tenho que enfrentar. É um número que nós estamos enfrentando pra justamente a polícia fazer as correções devidas, respeitando naturalmente os direitos humanos, mas também oferecendo as condições de trabalho”, disse. Segundo ele, o combate ao crime organizado depende de investimentos em equipamentos, armas, viaturas, capacitação e concursos.
Jerônimo afirmou que seu governo faz parte de um projeto alinhado ao presidente Lula e destacou que pretende “oferecer uma intervenção para a gente poder fazer as correções que a polícia militar, a polícia civil, as polícias precisam fazer, andar num alinhamento de proteção da vida”. Ele completou dizendo que não abre mão dessa diretriz.
Em outro trecho, o governador voltou a citar a Polícia Militar e afirmou que a corporação carrega um modelo de atuação antigo. “Primeiro, nós estamos falando só da polícia militar, ela é bicentenária, são 200 anos de um conceito, de um modelo, de um estilo de fazer segurança pública”, declarou. Ele disse que, apesar de seu grupo político governar o estado há quase duas décadas, a mudança desse padrão histórico ainda é um processo em andamento.
“Estamos falando de 20 anos de governo, vamos fazer 20, mas nós temos 200 de uma Polícia Militar existente sempre no mesmo modelo. Que é esse modelo em alguns momentos, inclusive lá atrás, da truculência, enfrentando movimentos sociais, movimentos populares”, argumentou. O governador citou que a reorientação começou em 2007, com Jaques Wagner, e busca reparações e ajustes na forma de atuação da polícia.
