Dor de cabeça, boca seca, náusea, fadiga, dores no corpo, irritabilidade, vertigem e lapsos de memória — quem nunca sentiu tudo isso depois de exagerar na bebida? Nesta época do ano, com tantas confraternizações, a ressaca se torna ainda mais comum. Mas o que exatamente é a ressaca? Quanto tempo dura? E, mais importante, dá para preveni-la ou curá-la?
Segundo o Instituto Nacional sobre o Abuso de Álcool e Alcoolismo dos EUA (NIAAA), a ressaca é um conjunto de sintomas provocados pelo consumo excessivo de álcool. O consumo moderado é definido como uma dose por dia para mulheres e até duas para homens. Uma dose equivale a cerca de 10 gramas de álcool puro — o que corresponde a 300 ml de cerveja (5%), 125 ml de vinho (12%) ou 30 ml de destilado (40%).
A recomendação é diferente para mulheres porque elas são, naturalmente, mais sensíveis aos efeitos do álcool. Isso ocorre porque, em geral, têm menos massa muscular — e, portanto, menos água no corpo — o que faz a concentração de álcool no sangue subir mais rapidamente. Além disso, estudos mostram que elas produzem menos álcool desidrogenase, enzima responsável por metabolizar o álcool.
A partir dos 50 anos, a ressaca também se torna mais frequente. O corpo passa a ter mais dificuldade para processar o álcool, reduzindo a tolerância à bebida em homens e mulheres. Por isso, muitas pessoas nessa faixa etária relatam que “não aguentam mais beber como antes”.
A ressaca é resultado direto da toxicidade do álcool no organismo. Entre os sintomas mais comuns estão fadiga, fraqueza, sede, dor de cabeça, dores musculares, náusea, vômito, dor abdominal, vertigem, sensibilidade à luz e ao som, irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração, tremores, sudorese, taquicardia e pressão alta. Em geral, eles aparecem entre 6 e 8 horas após o último drink e podem durar até 20 horas, variando conforme o indivíduo e a quantidade ingerida.
O corpo leva, em média, uma hora para metabolizar uma dose de álcool. Por isso, beber mais de uma dose por hora aumenta significativamente o risco de ressaca.
E existe cura para ressaca?
Apesar de inúmeros produtos e receitas caseiras — cápsulas “protetoras”, bebidas com eletrólitos, adesivos vitamínicos, tiras sublinguais — as evidências científicas são fracas. Um estudo da Universidade de Stanford avaliou diversas intervenções, como suco de pera coreana, piritinol (análogo da B6) e ácido tolfenâmico, e encontrou pouca eficácia real. A verdade é simples: não há cura rápida. O corpo precisa de tempo.

Ainda assim, algumas medidas ajudam a aliviar os sintomas:
Como melhorar a ressaca
• Coma carboidratos leves: Bebidas alcoólicas reduzem a glicose sanguínea. Torradas integrais, frutas e sucos podem ajudar a normalizar o nível de açúcar.
• Hidrate-se: O álcool é diurético. A desidratação provoca dores de cabeça e fadiga. Beba água em abundância. Isotônicos também ajudam a repor eletrólitos. Chás calmantes (camomila, erva-cidreira, verde, matcha) e sucos naturais — especialmente abacaxi, melancia e melão — são boas opções.
• Durma: O sono fica fragmentado após beber. Descansar acelera a recuperação.
• Antiácidos e anti-inflamatórios: Podem aliviar desconfortos gástricos e dores, mas devem ser usados com cautela, pois irritam o estômago.
• Café: A cafeína não cura, mas reduz a sonolência e melhora o estado de alerta.
• Paciência: O corpo precisa eliminar toxinas, reidratar-se e se recuperar. Os sintomas tendem a melhorar entre 8 e 24 horas.
Como prevenir a ressaca
Se não dá para curá-la rapidamente, dá pelo menos para evitá-la:
• Beba devagar: Limite-se a uma dose por hora — é o que o corpo consegue metabolizar. Bebidas com gás aceleram a absorção, então vá com calma nelas.
• Beba água: Intercale bebida alcoólica com água. Isso dilui o álcool e reduz a desidratação.
• Coma antes ou durante: O estômago cheio retarda a absorção do álcool.
• Escolha melhor: Prefira bebidas claras (vodca, gin, cerveja clara, vinho branco). As escuras — como whisky e conhaque — têm mais congêneres, substâncias ligadas à piora da ressaca.
Com alguns cuidados simples, dá para curtir as festas sem sofrer tanto no dia seguinte.
