Durante a divulgação do espetáculo “O Julgamento – Depois do Inimigo do Povo”, que estreia em Salvador no dia 3 de outubro, no Trapiche Barnabé, o ator baiano Wagner Moura fez duras críticas à falta de incentivo ao teatro na Bahia. O artista destacou que o setor cultural está abandonado nas últimas gestões estaduais comandadas pelo PT e comparou com a fase positiva vivida nos anos 1990, durante o governo de Antônio Carlos Magalhães (ACM).
“O teatro, em qualquer lugar, depende de incentivos públicos. E eu acho que isso não está acontecendo, e lamento que não esteja acontecendo nos últimos governos do PT na Bahia”, disse Wagner. Em seguida, ele fez questão de lembrar a diferença em relação à era ACM: “Esse período de alta aconteceu durante o governo de ACM. E me dá uma angústia muito grande dizer isso, mas é verdade”.
Segundo o ator, a efervescência cultural vivida na Bahia naquela época foi determinante para sua formação e para a consolidação de nomes que marcaram gerações. “Eu me formei e existo como artista porque, justamente, na minha época de formação, vivi uma ebulição do teatro. Pude ver Carmen Paternostro, Márcio Meirelles, Fernando Guerreiro, Jackson Costa, o grupo Bofetada. Essas referências me moldaram”, afirmou.
Wagner Moura ressaltou que, ao contrário desse passado, hoje o teatro baiano sofre com a falta de estímulo governamental. Ele criticou o fato de muitos atores locais precisarem buscar alternativas de trabalho fora do estado ou em outras áreas para sobreviver. “É foda ver um ator incrível e perceber que ele não consegue viver disso. Isso me dói. O teatro profissional está abandonado e precisa de mais atenção.”
Embora tenha reconhecido avanços em manifestações culturais do interior da Bahia, o ator foi categórico ao cobrar mudanças. “Não só na Bahia, mas no Brasil, precisamos de atenção do governo. A sequência do PT não tem feito o que deveria estar fazendo. Sei que o cobertor é curto, mas a cultura profissional precisa de prioridade, e aqui na Bahia não tem tido.”
